Labirinto
A série Labirinto nasce da biografia da avó do artista, natural de Serra Redonda (PB), região reconhecida como o maior polo produtor de renda labirinto do país. Ao enviuvar precocemente, a matriarca viu-se sem recursos e obrigada a entregar a tutela de seus filhos a outras famílias, encontrando na comercialização dessa renda um meio de subsistência. A execução técnica do labirinto opera pela lógica do "desmantelamento": o processo exige esticar o linho no bastidor, contar, cortar e retirar conjuntos de fios da trama do tecido, criando uma malha aberta sobre a qual as artesãs bordam, repreenchendo os espaços vazios (desmantelados) com motivos florais. Esse procedimento de confecção pode ser lido como uma metáfora da própria dissolução do núcleo familiar vivida pela matriarca, que precisou desfazer a integridade do "tecido familiar" para garantir a sobrevivência de suas partes. Como ato de reparação, o artista recuperou fotografias de sua mãe, tios e tias distanciados, imprimiu-as sobre linho e levou-as de volta às rendeiras da região, convidando-as a intervir sobre os retratos – desmantelando-os e recompondo. Assim, o mesmo gesto de extração que define a renda atua para renegociar poeticamente a trama rompida do tecido e da família, tentando reconstruir os laços de uma história fragmentada.
Catálogo da Exposição






