Sudário (2013), video arte.
Cartório de Restauração Identitária
Durante a colonização do Brasil, as populações africanas escravizadas sofreram um apagamento sistemático de suas identidades, tendo seus nomes originais substituídos à força por sobrenomes europeus ou ligados à cristandade, como Silva, Santos e de Jesus. Visando reparar essa violência, o Projeto de Lei nº 803/2011, de autoria do Deputado Nelson Pellegrino, propõe alterar os registros públicos para permitir a inclusão de sobrenomes africanos e indígenas, mas a proposta encontra-se paralisada no Senado desde 2014. Em resposta a essa inércia institucional, surge a performance Cartório de Restauração Identitária (2024). Para sua realização, o artista desenvolveu um agente de Inteligência Artificial alimentado por uma extensa pesquisa histórica, que catalogou mais de 8 mil sobrenomes de origens iorubá, bantu e indígenas, incluindo suas etimologias e significados culturais. Atuando como mediador performático, o artista utiliza essa ferramenta para entrevistar o público, mapeando valores e desejos pessoais para sugerir um novo sobrenome que reflita essas aspirações. O processo culmina na emissão de uma "Certidão de Identidade Restaurada". O novo nome passa a integrar o banco de dados da obra e, sempre que duas pessoas escolhem a mesma designação, o sistema as conecta, tecendo uma árvore genealógica baseada não no sangue, mas na afinidade e na escolha.
Catálogo do Projeto
Dos Anjos (2024), série Cartório de Reparação Identitária
Cartório de Reparação Identitária (2024), performance - Museu Nacional

EXU (2024), série Cartório de Reparação Identitária
























